sábado, 28 de Março de 2009

"Utopia da Comunicação"


“Utopia da Comunicação”

O problema da “Utopia da comunicação” é no fundo, o de todas as utopias: o de que elas prometem sempre mais do que aquilo que, de facto, podem dar?
Claro que a “Utopia da comunicação” é bem diferente da utopia cientista, utopia Iluminista e a utopia comunista, porque segundo o pensamento de Norbert Wiener as utopias cientista, Iluminista, comunistas caracterizam – se e estabelecem uma dialéctica união-conflito que não deixar de excluir ao mesmo tempo que inclui, enquanto a “Utopia da Comunicação” cria uma união de todos, com todos e a Inclusão Total, mesmo daqueles que não queiram. A “Utopia da Comunicação” inclui os que comunicam e até aqueles que se recusam a comunicar como afirmam os pensadores da Escola de Palo Alto “não podemos não comunicar” (1º axioma de comunicação – Níveis de comunicação). Assim a comunicação é completamente impossível, na medida em que a própria recusa da comunicação já é, e é de forma significativa, uma forma de comunicação.
Assim a “Utopia da Comunicação” é uma realidade entre as pessoas, na Escola, sala de aula, com o Professor, na Família, com os Amigos; em Sociedade.
Segundo Norbert Wiener, as utopias podem ou não deixar o mundo na mesma, ou seja, em certos aspectos podem deixar este mundo melhor que, noutros aspectos, elas (Utopias) o tornem pior.
A “Utopia da Comunicação” emergiu como “valor pós – traumático” e pretensa alternativa à barbárie, ao racismo, e à sociedade de exclusão, ou seja, como combate a desordem, a entropia, contra tudo o que se interpõe entre os Homens e torna opaca as suas relações, tudo que conduz inevitavelmente as nossas sociedades ao desastre e à destruição dos laços sociais.

Modelos de Comunicação


Modelos de comunicação

Existem 4 modelos estruturantes: Os modelos Básicos ou lineares de comunicação, modelos Cibernéticos, modelos de comunicação de Massas e os modelos culturais (ou socioculturais).
Os modelos Básicos ou lineares de comunicação tiveram influência directa ou indirecta de “Harold Lasswell” em que considerava a comunicação enquanto fenómeno que o decompunha em cinco partes fundamentais, representando cada uma um fenómeno. Para “Harold Lasswell” um meio de descrever um acto de comunicar é responder às questões “quem? (emissor), Diz o quê? (mensagem), Através de que meio? (canal), A quem? (receptor), Com que efeito? (efeito).
Assim “Harold Lasswell” formula os correspondentes campos de comunicação. Este esquema descritivo de “Harold Lasswell” estabelece a análise dos actos comunicativos. Este esquema aplica-se a vários níveis de comunicação. O esquema baseia-se em três premissas fundamentais:
1) É um processo assimétrico em que o emissor activo produz um estímulo para o receptor que é passivo;
2) Retrata um processo comunicativo intencional;
3) É um processo que emissor e receptor surgem isolados.
Este esquema de “Harold Lasswell” caracteriza-se por apresentar um sujeito estimulador (que provoca respostas no receptor), estímulos comunicativos (geram uma conduta comunicativa), instrumentos comunicativos (linguagens, métodos, técnicas) e experimental que recebe esses estímulos e reage a esses estímulos.
Quanto ao modelo de “Shannon” e “Weaver” é um modelo matemático que descreve a comunicação como um processo direito ou unidireccional. Para “Shannon” e “Weaver” o receptor descodifica a mensagem e repõe – a numa forma compreensiva para o destinatário.
O modelo cibernético mencionado por Platão de forma vaga mas reforçado por Robert Wiener que o considerou a “teoria da regulação e comunicação, quer na máquina quer no Homem, ou seja, a cibernética torna-se capaz de “assegurar a eficácia da acção”, onde a retroacção, alcança papel fundamental. A retroacção ou feedback torna-se uma evidência na divulgação de uma mensagem, na audiência e expansão de uma mensagem, ou seja, o feedback é deduzido.
O modelo de comunicação de massas o emissor é a fonte de comunicação e o receptor é colectivo. As operações codificação, interpretação e descodificação dá – se nas fontes exteriores como por exemplo jornal, jornalistas. As mensagens emitidas são múltiplas, mas idênticas. Por exemplo numa notícia do telejornal todos a vão descodificar, interpretar e codificar. Depois disto, cada um vai continuar a descodificar, interpretar e codificar em grupo. Este modelo provoca um feedback induzido.
Os modelos culturais de Edgar Morin são fundamentais no estudo da cultura de massas. O investigador centra a análise na cultura de massas. Segundo Edgar Morin, a cultura de massas é um produto de um processo dialéctico entre criação, produção e consumo.

1) Dentro dos Níveis de Comunicação diga qual, ou quais, na sua opinião condicionam mais a prática docente.
Nenhum nível condiciona a pratica docente porque os quatro níveis ou contextos de comunicação não podem estar separados. Como afirma o autor Stephen Littlejonh, devemos "olhar para eles como uma hierarquia de contextos ajustados uns aos outros, em que o nível superior inclui o inferior mas acrescenta algumas características e qualidades adicionais". Assim na perspectiva do autor há uma interrelacionalidade dos quatro contextos ou níveis de comunicação.
O nível de comunicação interpessoal caracteriza-se essencialmente pelos seus axiomas.É imprescindível e impossível evitar comunicação, mesmo que o ser Humano não se esforce e/ou não queira. Por exemplo o nosso silêncio quando estamos chateados com alguém é comunicação, as nossas acções boas ou más relações são comunicação, reacções, olhares, gestos e até formas de posicionar o nosso corpo são comunicação. Como afirma o autor Paul Watzlawick "não se pode não comunicar". Assim podemos dizer que a comunicação acontece quando é intencional e/ou não intencional. Tudo possui um valor de mensagem, haja actividade ou não actividade.
Qualquer comunicação implica um compromisso e define uma relação, ou seja, toda a comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação. Assim com a comunicação dá-se a metacomunicação, ou seja, vai para lá das barreiras da comunicação na medida em que os conteúdos da informação provocam e estabelecem uma relação.
Na comunicação há sempre uma analogia entre o emissor e o receptor e relação causa-efeito. Por exemplo a comunicação entre duas pessoas que falam línguas diferentes e pertencem a culturas diferentes conseguem estabelecer algum entendimento entre si porque há comunicação analógica. Assim os seres Humanos comunicam digital e analogicamente.
Na comunicação há permutas comunicacionais simétricas ou complementares, ou seja, baseiam-se na igualdade e na diferença. Por exemplo dois comunicadores numa relação que se comportam de um modo semelhante, designa-se relação simetria; e dois comunicadores que se comportam de um modo Dissemelhante, designa-se relação complementar.
Nos relacionamentos correntes do dia a dia há uma combinação de interacções complementares e simétricas.

3) Segundo Watzlawick, existem 5 axiomas na sua teoria da comunicação entre dois indivíduos. Se um destes axiomas por alguma razão não funcionar, a comunicação pode falhar.Porquê?
A comunicação não falha, porque no momento em que comunicamos os axiomas estão sempre patentes, independentemente do(s) contexto(s) e circunstâncias de comunicação.
Como afirma o autor Paul Watzlawick há sempre comunicação haja actividade ou inactividade no sujeito, tudo é, e possui mensagem.
Segundo o autor, na comunicação dá-se a metacomunicação em que o emissor/receptor estabelece uma relação, consequência do conteúdo, ou seja, quando se dá a comunicação passa-se para o "patamar" da metacomunicação em que os conteúdos da mensagem provocam e estabelecem relação, interiorizam-se, entranham-se. Para o autor toda a comunicação tem um conteúdo e uma relação em que os dois modos de comunicação existem lado a lado e se complementam em todas as mensagens.
O autor também menciona que na comunicação há uma relação de simetria (dois comunicadores numa relação se comportam de um modo semelhante) e de relação complementar (dois comunicadores numa relação se comportam de modo dissemelhante). Assim o ser humano é um ser de comunicação com interacções complementares e assimétricas.
Os 5 axiomas, segundo Paul Watzlawick, funcionam em congruência, encadeados e com alguma dependência uns dos outros para se concretizar o processo comunicacional.

4) A comunicação de massas é um tema muito debatido na sociedade actual, principalmente pelas influências que gera.Comente a importância deste nível (massas) para a prática docente.
A comunicação de massas na prática docente tem repercussões na homogeneização do pensamento dos alunos, tornando-os muito idênticos na forma de pensar, agir e "vêr" o mundo que os envolve. Essa homogeneização cria nos alunos comportamentos, pensamentos, atitudes e gostos idênticos que dificultam o processo de ensino-aprendizagem. Assim os alunos desenvolvem pouco o seu pensamento pessoal e a sua autonomia nos diferentes âmbitos Escolares e sociológicos.
Estes alunos remetem para 2º plano o pensamento Individual na sua aprendizagem, uma vez que tem imensas influências da comunicação de massas, não conseguindo sair do pensamento usual que todos recorrem e são influenciáveis.

segunda-feira, 23 de Março de 2009

Epistemologia da Comunicação - Entropia

Entropia
A entropia → define-se como a medida do grau de desordem de um dado sistema de comunicação, a falta de previsibilidade numa situação, resultando em incerteza.
Assim, numa mensagem de baixa previsibilidade é entrópica e com muita informação.
Como fenómeno oposto à redundância, temos a entropia. Num sistema, a informação é uma medida do seu grau de organização, do mesmo modo que a entropia é uma medida do seu grau de desorganização.
Exemplo de Entropia: Um professor instalando o caos, a dúvida, a incerteza, provocando a discussão, partindo do fim para o princípio, usando a entropia, chega ao conhecimento. O partir do empírico para o científico.
É como contar uma história, com todo o seu enredo, narrando todos os pormenores até chegar à moral da história. Os alunos gostam de um professor que os surpreenda, que traga novidades, que utilize a entropia, que seja imprevisível, que varie as suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.

Redundância
Redundância
→ define-se como medida do grau de ordem de um dado sistema de comunicação, com previsibilidade elevada numa situação, resultando na certeza.
A redundância é oposta da entropia. Assim, numa mensagem de elevada previsibilidade é redundante e com pouca informação.
Na redundância existe uma redução de informação da mensagem devido à repetição de unidades ou grande previsibilidade dessas unidades.
A redundância desempenha um papel vital na comunicação para organizar e manter a compreensibilidade da mensagem, ajudando a estabelecer um valor óptimo para a compreensão da mensagem.
Na comunicação quotidiana encontramos redundância no acto de unir gestos e fala. Na própria linguagem, por exemplo: quando dizemos “nós estamos aqui”.
Exemplo de redundância: Quando nos encontramos em ambiente de sala de aula, constatamos que o docente recorre inúmeras vezes à superabundância de palavras e à utilização de gestos e expressões corporais que visam reforçar o discurso oral.
Os elementos de redundância são utilizados de uma forma comum e necessária na comunicação oral. Pois, embora, em certos casos, a informação possa ser redundante, a redundância pode ser útil para a melhor apreensão e compreensão da mensagem.

Ruído
Ruído
→ é um conjunto de sons desagradáveis e/ou perigosos, capazes de alterar o bem-estar fisiológico ou psicológico das pessoas, de provocar lesões auditivas que podem levar à surdez e de prejudicar a qualidade e quantidade do trabalho.
Exemplo de Ruído: Dialogarem dois amigos num bar onde a música está num som bastante elevado.

Informação e Comunicação:

Informação: Informação é um conceito ligado à comunicação. Só existe comunicação se houver informação.
O conceito, a noção que temos de informação é bem vago e intuitivo.
Entretanto, não temos uma definição precisa do que é informação. Não temos uma definição que diga o que é e o que não é informação. Sabemos intuitivamente o que é informação, mas não conseguimos descrever, em palavras, o que é informação.
Exemplos de Informação: Quando fazemos uma pergunta, estamos pedindo informação. Quando assistimos televisão ou um filme, estamos absorvendo informação.
Ao ler um jornal, uma revista em quadrinhos, ou ao ouvir uma música, sabemos que estamos lidando com algum tipo de informação. Até quando contamos uma piada estamos transmitindo informação. Usamos, absorvemos, assimilamos, manipulamos, transformamos, produzimos e transmitimos informação durante o tempo todo, durante todo o tempo.

Comunicação: Comunicação é um conceito umbilicalmente ligado à informação. Informação sem ser comunicada, de nada vale, desaparece, precisa de ser recriada.
Na comunicação dá-se o processo de comunicação em que os elementos participantes são o emissor (es) e receptor (es) e a mensagem.
A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim.
Exemplo de Comunicação: Duas pessoas tendo uma conversa face – a- face, ou através de gestos com as mãos, mensagens enviadas utilizando a rede global de telecomunicações, a fala, a escrita que permite interagir com as outras pessoas.Epistemologia da Comunicação